domingo, 25 de janeiro de 2015

Defeated

A tristeza que assola dessa vez é diferente.
Chega a ser revoltante, mas faz os olhos arderem de cansaço. Pesa.
Como um dia inacabável que de repente chega ao fim. 
Como uma luta longa, em que se sangra, em que os roxos e dores passam despercebidos perto da exaustão que se instaura.

Não acredito que tenhamos desistido.
Não acredito que faltaram esforços. Esforços tais que mostraram-se frustros, porém existiram. Cada incentivo, ideia, beijo, cada detalhe pra te ver feliz, por mais insípidos que fossem.
Não faltou amor, disso tenho certeza. 
Fomos derrotados. 
Derrotados por uma tristeza maior, Por um mundo que talvez tenha conspirado ao nosso favor, pois apesar das circunstâncias e coincidências, nosso relacionamento foi algo totalmente inesperado; e contra nós, ao mesmo tempo que minou nossas forças de continuar junto.

Me sinto derrotado. Jogado no chão. Ainda tentando entender porque perdi.
Me sinto cansado. E apesar de saber que é impossível, a única pessoa que me ajudaria nesse momento é você. 

Me sinto culpado por me entregar, por me deixar te amar, de alguma forma acredito que tenho alguma culpa nisso tudo. 

Não vejo sua alegria em ninguém. Muitos menos seu carinho. E meu amor, talvez este, que já mal sai da toca, não saia nunca mais. 

''It's like being thrown down on the ground/ You didn't see it coming/ You felt nothing at all/ You just feel hurt/ Hurt inside./ But you knew/ Since the beginning/ You may have been walking on clouds/ When the life is easy and light/ and you almost forgot/ the ground was there/ All the time.''




quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

(Im)Permaneceu



E como veio, foi.
E nessas 24 horas foi capaz de derramar lágrimas de alegria, de tristeza e de saudade.

Tem certeza, se apaixonou.
Clara e inocentemente como quando, anos atrás, declarava-se, e sentia a mesma dispnéia, o mesmo acelerado coração, o mesmo nó na garganta.

Foi possível olhar no fundos com a sinceridade de um olhar apaixonado. Eles diziam ''sou teu''. E olhos não mentem. Sua voz soou clara, e seus pensamentos, em meio a cursos confusos, acelerados, em meio a confusão basal, estavam lúcidos, as palavras refletiam a alma que sua mente gerava. (a alma, a projeção biológica da mente, acredito, porém não explico, ninguém explica).

Queria que aquele abraço durasse a eternidade. Piegas, sim. Sincero, sempre.
''Abraçamos um ao outro um pouco mais forte: não vou deixar isto passar,  não aceito a natureza efêmera deste momento, e vou estendê-lo para sempre, ou ao menos, tentar.'' (Traduzido de ''Existencial Bummer'')
Sentiu-se amado.

E da mesma forma, como quem mergulha sem medo em daqueles belos lagos, dignos de foto, quando diz, ''Pula'', em seu ouvido, sentiu a dor, a surpresa do esperado, que, no fundo, haveriam pedras, duras como a realidade que não deixou de estar lá, porém, não podia ser vista.
Na verdade, gostaria de ter se sentido.
Diferente de anos atrás, é capaz de identificar e driblar assuntos de compromisso, relacionamentos, fazem apaixonar sem se entregar, sentir apaixonante e no fundo apenas, ''gostar''.

A repulsa, o nojo, como se algo morresse. Como se as borboletas em seu estômago tivessem padecido e realmente pesavam. Queria chorar. Queria não estar ali, não ter dito. Devia ter preservado seu castelo de sentimentos, que mostrou-se indefenso, violável, vulnerável, como anos atrás.

E ao despedir-se. Seus olhos brilharam de lágrimas. Impossível dizer quais os sentimentos contidos naquela lágrimas. Mas este nunca chorou por efêmeros sentimentos.

Por mais que a maturidade faça sua parte e nos torne mais ásperos, mais longes do amor parecemos estar, ao nos entregarmos, somos capazes de sentir algo tão instintivo, tão primário quanto a fome, o medo.
O sentimento que enobrece, mata, dá sentido.
Pois sem ele, seríamos simples alvos da entropia.
Sem ele, a impermanência, ao percebida, mataria de cara.
E por ele, sofremos, choramos.
Mas vivemos.

''Sometimes I feel nostalgic over something I haven't lost yet''



domingo, 17 de fevereiro de 2013

como se desenha

Nunca fui bom em desenhos. Desenhar é, ao meu ver, um dom, que junto à prática e habilidade adquirida, consegue dar vida a sonhos, a idéias, consegue expressar o inexistente, o abstrato. O desenho vem ao papel, à tela, às paredes para ser apreciado, odiado, para provocar. De uma maneira ou de outra, se eu desenhasse, meus desenhos só trariam risos ou desprezo aos que veem.

Por isso prefiro desenhar palavras. Da mesma maneira que desenhos, dão vida às idéias, vida ao abstrato. Porém, tornam o abstrato o mundo real. Palpa-se dessa maneira as nuvens do irreal, pois percorre-se um mundo que não existe, onde idéias se confrontam, se acertam, se constroem.

Vive-se na abstração.
Nos faz acreditar no amor dos desesperados.
Nas desaventuras de um pobre coitado.
Nos encontros do improvável.
Na ressurreição do que é divino.
Nos elétrons que nos fazem viver.

Nesta arte de desenhar palavras, venho fazendo meus rascunhos, como podem ver.
(E talvez possa ser comparados à mediocridade dos meus desenhos.)
Desenho aqui um rascunho do que sinto, pois o que sinto não seria compatível ao papel, a uma tela. Talvez o que eu sinta, de tão abstrato, seja confuso até mesmo no campo das idéias. Meus pensamentos tentam interpretar meus sentimentos como uma mistura sinestésica de todas as artes, da música dos teus olhos, do cheiro da tua presença, da sua beleza, que ouço a distância, e do gosto doce da tua voz, e do som de tuas palavras, que vejo extasiado.

Sou capaz de desenhar aqui minhas idéias, de tentar compor algum tipo de raciocínio lógico. Mas muitos já quiseram a escrita contemporânea, abstrata. Que trabalha com essa abstração da lógica das palavras,
Acredito que a abstração na venha da forma, mas sim da própria palavra. A verdadeira arte de desenhar palavras é dar ao leitora capacidade de entrar em sinestesia com suas próprias idéias e palpar o irreal. É inútil, por meio da forma, por mais genial que seja, tentar desenhar um texto.
O texto se constrói.
As palavras se desenham.
Da mesma forma que o vermelho possa colorir o sangue, as rosas, os prédios, os tijolos; o ''desespero'' é o medo, o suspiro eterno, o amor indomado.

Talvez eu passe minha vida tentando desenhar minhas idéias, desenhando em cada palavra um tom do meu pensamento, uma versão diferente para cada ideia, me assombra, me delira, me faz sonhar, me faz querer morrer.

Não escrevo para ser lido.
Escrevo para me conhecer.
E cada palavra que me conheço mais, percebo que sou menos artista, e mais humano.
A quando desenho um pronome, um substantivo, um advérbio, venho me perguntar como a mente é capaz de conversar tanto com si mesma.
Acho que é essa, enfim, a grande beleza de desenhar ''amor'', ''morte'', ''eu'', ''palavras'', ''desenho''.
Perdoem-me pela metalinguagem excessiva.
Mas minha arte é essa. Desenho o que sinto, por meio de palavras que me condenam, que me ensinam.
A grande beleza de poder se conhecer, pois o que está frente ao espelho pouco importa.

O melhor de tudo, é facilidade de um auto retrato.
''eu''
Ao mesmo tempo da complexidade metafísica desta preposição.

O papel aceita tudo. A partir daí, cabe a cada um saber o que se lê.
Até que ponto acreditar que elétrons que nos mantêm vivos, ou que desesperados são incapazes de amar.
Minha arte faz mal. Mas é meu único remédio.





domingo, 3 de fevereiro de 2013

desperceba

Talvez os despercebidos sejam mais felizes.
A vida passa e com ela passam os problemas, sendo que só reparam naquilo que os atingem diretamente. Não param para filosofar, a metafísica dos despercebidos é a realidade; é o dia-a-dia, o planejamento banal da vida.
Os despercebidos passam no mundo como se a vida realmente fosse uma grande alegria, vivem cada momento da maneira que devem viver.
A filosofia dos despercebidos é o papo de bar, a política, o futebol, a carreira, mulheres.
Não procuram engradecimento. Acreditam nos sonhos, e por mais longe que pareçam estar deles, ao mesmo tempo sentem-se realizados. Moldam seus sonhos de acordo com sua realidade, despercebida.

Pode-se confundir os despercebidos com os ignorantes. Isto está errado.
A ignorância é uma dádiva. Aquilo que não se escolhe saber ou conhecer é simples, é palpável; todos nós devemos nos dar ao ''prazer'' da ignorância, a arte de dar risada sobre política, física, astronomia, engenharia, arte...

Aos que percebem. Meus pêsames. Aos que filosofam, idem. Aos que se incomodam com o simples fato de existir, aos que sentem a verdadeira angústia da metafísica, aos que se incomodam com a obrigação da vida, de ser livre.
Segundo Voltaire, o homem que não fosse capaz de rir, se enforcaria.
E ainda, afirma que não há sentido em existir, em viver, que a vida é composta por distrações, que ocupam a mente dos que percebem, sentem, pensam.

A cada abrir da janela. A cada dia cinza. A cada sorriso que despertam em mim, percebo que vale a pena estar vivo. E apesar de viver ser muito difícil, acredito que somos capazes de eternizarmos nós mesmos em cada instante memorável, em cada paixão que aquece o peito.

Invejo os despercebidos.
Talvez eles pudessem ensinar a verdadeira arte de viver.
Ou talvez os que percebem os pudessem ensinar a pensar.
Não. A filosofia não sustenta o amor, a felicidade. Quanto mais a vida.
A cada beijo, despercebo o mundo.
A cada sorriso, juro viver pra sempre.
A cada suspiro, sinto, simplesmente.
Talvez despercebamos juntos o que é estar vivo. E assim, somos.



domingo, 27 de janeiro de 2013

instante

O tempo é composto por horas, minutos, segundos e, todos estes, por instantes.
O instante pode ser uma fração do segundo, ao mesmo tempo que pode durar horas.
O instante pode ser um mês, um ano todo, que no passado, não passam de um segundo de suas lembranças.
O instante é, portanto, uma medida de tempo modulado pelo valor do tempo em significado, e não em duração.
É o amor, o medo, a surpresa, o encanto, a felicidade; é discernir o tempo passado de tempo vivido.

Quando te observei hoje, descendo a rua, o tempo pareceu parar, um vazio já me invadiu, e eu soube que as próximas horas nunca durariam tanto quando as horas que haviam acabado de passar. O tempo que estive ali, e todos os momentos que estive contigo, me senti vivo, apesar da vida, realmente, não importar tanto, não naqueles instantes.

A vida pode durar um instante, enquanto pode ser eterna, devido a instantes que somados duram muitas e muitas vidas, pois seus significados extrapolam o próprio tempo que existem.
Como disse o poeta certa vez, ''Meu tempo é quando''.
Talvez possa entender eu um pouco desta poesia nesta simples reflexão.

E quando?

''Good times, and bad times and all those in-between times...''
''Smiles we gave, we smiles we made''
In-Between Times - Go Jimmy Go






domingo, 13 de janeiro de 2013

melodias.

Talvez a abstração de um pensamento se dê da mesma forma que o que acontece com a música.
Quando uma melodia lhe toma os pensamentos, o único jeito é ouvir a música.

Para que abstraia-se pensamentos, como a saudade, como a vontade de ver alguém, como aquele pensamento que te torturaria, se não fosse tão belo como um sonho; talvez seja necessário torná-lo real, palpável. E até mesmo beijá-lo. Sentí-lo.

O problemas de grandes melodias, no entanto, é que você quer ouví-las diversas vezes, e ainda fica lhe assoviando o dia todo, e que tiram o sono pelo prazer de cantá-las.

A música é tão abstrata e apaixonante como o próprio viver.
Da mesma forma que não viveria sem música, não vivera sem sonhos, não viveria sem minhas abstrações.
A vida é uma abstração do próprio ser, do próprio existir.




segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Rotina.

De volta.
De novo.
Do ano que se foi mas não passou.
Em um ano que começa bem.
Diferente.

Mudanças.
São e sempre serão necessárias.
Mudar, porém, dá medo. E o medo é o mais natural dos sentimentos, é o mais primitivo dos sentimentos, é o que nos mantém vivos, afinal.
É um ano de poucas promessas e muitos deveres. Um ano que sonhar será necessário, pois serão a força para se continuar e firmar cada passo, cada palavra, cada jura.
Um ano que se perde um pouco a irresponsabilidade, mas ainda se tem o privilégio de relegar-se a ela de finais de semana e feriados.

Enfim.
De volta ao novo que ainda velho.
Porém mudado, de alguma forma, talvez com a cabeça mais tranquila. Ou talvez mais confusa.
Afinal, como posso avalizar minha própria sanidade?

A rotina nos define.
Nos molda.
Nós fazemos nossa rotina, porém ela que nos domina.
Junto com nosso maior inimigo, o tempo. A rotina segue ditada pelo relógio. Assim como nossa vida cessa a cada letra que aqui está sendo escrita. E a cada palavra que aqui é lida.
A rotina responde por nós, ela é capaz de transparecer fisicamente.
A rotina nos escraviza, mas nos liberta da morte. Ela nos mata, mas nos faz esquecer que estamos morrendo. Ela traz a ocupação da mente, ela traz a libertação de uma alma que continua acorrentada.
A rotina é como uma psicoterapia para uma alma em depressão, que convive diariamente com a angústia de sua própria existência e sentido.
(Talvez então o amor seja o fármaco que cura alma e que, com certeza, tem seus efeitos colaterais. E pode fazer mal em overdose.)
A rotina é essencial, ter um papel é essencial.
A rotina é enlouquecedora, pelo menos para mim.
Viver é essencial, acima de tudo. Viver é enlouquecedor.

Escrever, pra mim, é sair da rotina, e portanto, um alimento pra minha alma acorrentada, talvez um alívio, talvez um meio de afrouxar essas correntes.

http://www.youtube.com/watch?v=3ZW_keqnzD8